Uso recreacional do Viagra
No início da década de 90, o laboratório Pfizer realizou testes e pesquisas com o objetivo de criar um medicamento para tratar hipertensão e angina. Esse medicamento, que tinha como mecanismo de ação promover a dilatação vascular, não apresentou grandes contribuições para o tratamento dessas doenças, mas sim um efeito colateral – promoção de ereção - que passou a ser o principal efeito do medicamento, agora utilizado em pacientes com disfunção erétil.
No seu início, o Viagra era procurado principalmente por pessoas com problemas de disfunção erétil, já que este transtorno atinge a metade da população masculina com idades entre 40 e 70 anos, de acordo com uma pesquisa recente promovida pela Faculdade de Medicina da USP, Fundação Oswaldo Cruz e Sociedade Brasileira de Urologia, com o apoio da Pfizer. Porém, com crescimento da popularidade do medicamento, começou a ocorrer o uso recreacional do citrato de sildenafila, principalmente entre os jovens, o que vêm preocupando a sociedade farmacêutica e médica.
Atualmente, a quantidade comercializada do medicamento, os quais são vendidos em drogarias – muitas vezes sem prescrição médica – é alta. Isso ocorre devido a vários motivos, como curiosidade, pressão social (de amigos ou da própria parceira sexual) e principalmente à crença de que a pílula do Viagra atua como um afrodisíaco, melhorando o desempenho sexual. Logo, a possibilidade de ter uma pílula no bolso que permitirá uma suposta melhora na performance sexual explica o alto índice de vendas desse produto para jovens e também o seu uso indiscriminado de forma recreativa.
O que realmente ocorre quando uma pessoa do sexo masculino ingere a pílula é a ação do princípio ativo sildefanil, que promove o prolongamento à ereção, pois retarda a enzima responsável pelo relaxamento do músculo. Assim, a ereção somente ocorre se houver estímulo inicial, visto que só assim o cérebro enviará sinais para a liberação de óxido nítrico, que promove a ativação de outras substâncias responsáveis pela ereção.
Além disso, outras maneiras de se utilizar o Viagra vêm se tornando comum em baladas, casas noturnas e outros locais. O medicamento é ingerido com outras drogas, como o ecstasy, principalmente. Essa nova mistura é denominada “sextasy”, a qual permite, segundo usuários, vivenciar sensações proporcionadas pelo ecstasy, e, ao mesmo tempo, possibilita a ocorrência de ereção, devido ao Viagra.
Dessa maneira, como o Viagra é um fármaco, existem efeitos colaterais, que são, na maioria das vezes, ignorados pela população masculina que o utilizam. Além dos efeitos físicos, como arritmias cardíacas, dores de cabeça, palpitações, distúrbios visuais e também priapismo (casos extremos de ereção contínua), surgem os efeitos psicológicos, como a dependência do medicamento, visto que, segundo pesquisas, muitos homens que utilizam o placebo do medicamento acreditam melhorar o desempenho sexual.
Portanto, o intenso uso de pílulas do Viagra entre a população, principalmente os jovens é preocupante para a área da saúde, visto que a maioria dos usuários dessa faixa etária não possuem problemas ligados à disfunção erétil, mas utilizam o fármaco como forma de prevenir-se e sentir confiança no momento de impressionar a parceira sexual, sem saber o risco que está colocando a sua saúde e também a sua autoconfiança, quando a pílula estiver ausente. Assim, o que era para ser recreacional no início, pode se tornar prejudicial para esses usuários.
Catharina Biasi Esteves da Costa
Lucas Fonseca Gonzaga
Nenhum comentário:
Postar um comentário